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Afinal, o que é a taxa Selic?

junho 8th, 2012 | Postado por Explorando em Curiosidades | Fundos de Investimento | Poupança | Tesouro Direto

Olá investidor!

E não é que a Selic anda com a bola toda? Cada vez mais comum nas conversas dos brasileiros, a taxa de juros que já era base para muitos investimentos e análises econômicas, agora é utilizada no cálculo do rendimento da aplicação financeira mais popular do país: a poupança.

 No finalzinho de maio, a reunião do Copom definiu a meta da Selic para 8,5% ao ano, fazendo valer a nova regra da caderneta que define o rendimento em 75% da Selic mais a Taxa Referencial. (Para entender o que aconteceu, leia mais sobre o funcionamento da poupança clicando aqui.)

 Por isso, o assunto de hoje no Blog Investmania é justamente ela, a taxa Selic. Vamos conhecer um pouco mais sobre ela, sua importância e quem a define?

 

O que é a Taxa Selic?

A Taxa Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, sendo que sua sigla vem de um nomezão complicado de entender: Sistema Especial de Liquidação e Custódia. Seu papel é servir de referência para todos os juros cobrados no país.

Forçando um pouco a comparação, poderíamos dizer que é uma espécie de “salário mínimo” do dinheiro, afinal, não tem gente que costuma dizer que “investir é fazer seu dinheiro trabalhar para você”?

Pois bem, isso não quer dizer que todo “dinheiro trabalhador” renderá exatamente a Selic, nem garante que seu rendimento será calculado de acordo com a taxa, mas ela sempre será uma importante referência para os juros em todas as negociações no Brasil.

Quem a define?

A meta da Taxa Selic é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), uma comissão formada pelos oito membros da diretoria do Banco Central do Brasil e liderada pelo presidente da instituição. Criado em 1996, o Copom definiu uma meta para a Taxa Selic pela primeira vez em 1999.

Desde então, ela subiu e desceu bastante, veja como fica o gráfico histórico (clique nele para ampliá-lo):

As reuniões do Copom acontecem a cada 45 dias, começando sempre numa quarta e terminando na quinta-feira. Nelas, os membros levam em consideração todos os indicadores que influenciam na economia brasileira, buscando sempre chegar a um consenso quanto à meta. Caso isso não aconteça, é realizada uma votação.

Um fato interessante é que, na verdade, a Selic é uma taxa de juros diária (descobriremos porque no item “O lado mais técnico da Selic”) e não anual, como sempre é divulgada. Então, quando falamos que o Copom definiu a Selic em 8,5%, estamos nos referindo à uma meta estipulada pela comissão.

Porém, a média dos juros cobrados diariamente varia pouco ao longo das semanas, ficando sempre muito próxima à meta definida pelo Copom. Por isso, em termos práticos, isso não faz diferença alguma em nosso cotidiano.

Qual é sua importância?

Como vimos, a Taxa Selic baliza todos os juros praticados no Brasil. Existem, inclusive, vários investimentos que utilizam o índice diretamente no cálculo de rendimentos, como a nova poupança, os CDBs pós-fixados e os títulos públicos da série LFT. Esses investimentos podem render a Taxa Selic inteira ou, como faz a nova caderneta, uma porcentagem dela.

A meta definida pelo Copom também é muito utilizada pelos economistas nacionais e internacionais para analisar as conjunturas econômicas e financeiras do país. Ela é tão importante que quando se quer comparar os juros no Brasil com o de outros países ou calcular os juros reais (veja o que são clicando aqui), a taxa padrão utilizada é a Selic.

Outro papel importante é a possibilidade que o Banco Central ganha para interferir na economia do país. Analisando os diversos fatores influenciados pelos juros, como inflação, consumo, volume dos empréstimos, câmbio, taxa de desemprego e tudo mais, os diretores do BC podem utilizar a Selic como instrumento de correção nos rumos econômicos.

Por exemplo, se o Copom considerar necessário incentivar o consumo no país, eles podem abaixar os juros referenciais para que o crédito ao consumidor também fique mais acessível. Ou, se avaliarem o volume de investimentos externos como muito baixo, um aumento na Taxa pode atrair mais capitais estrangeiros por oferecer rendimentos mais altos.

Isso, claro, é algo muito sério e complicado de se decidir, pois a Taxa Selic gera um efeito cascata em diversos outros indicadores e processos econômicos. É papel do Copom analisar todas as possibilidades e conjunturas antes de fazer qualquer mudança nos juros.

O lado mais técnico da Selic

Para quem quiser um conhecimento mais avançado, existe um mecanismo técnico bem interessante por trás da Taxa Selic: Ela é uma meta econômica que reflete a média dos juros cobrados para se fazer um empréstimo interbancário de um ano ao preço do overnight lastreado pelo SELIC.

Aceita o desafio de entender essa frase de economês pesadíssimo? Sim? Então vamos lá!

O SELIC (note que agora o nome é masculino, pois “a Selic” é a simplificação cotidiana para “a Taxa Selic”) é o Sistema Especial de Liquidação e Custódia, um mecanismo informatizado de custódia, registro e liquidação de todos os títulos públicos brasileiros.

Tentando simplificar, poderíamos dizer o SELIC é uma espécie de bolsa de valores só para os títulos públicos. Esse sistema é o lugar onde as emissões, as operações de compra e venda e os preços negociados pelo Tesouro são realizados, processados e armazenados. Deu para entender?

No SELIC, os bancos brasileiros podem fazer empréstimos diários entre si lastreados (garantidos) por títulos públicos. É como se penhorassem esses papeis por apenas um dia. E esse tal de overnight é justamente o nome dado à taxa de juros cobrada por um dia de empréstimo.

A Taxa Selic seria justamente isso: fazendo uma média da taxa overnight cobrada para empréstimos interbancários lastreados em títulos públicos no SELIC, quanto seria o total de juros pago por um ano inteiro? Isso é a Taxa Selic, muito interessante, não é?

 

Fontes: BCB; Exame; Wikipédia; BCB (histórico)


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